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Histórias

A história de Valentin Tramontina

A história da Tramontina começa em 1911, quando Valentin Tramontina chega à cidade de Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, para montar o seu próprio negócio.

Das mãos deste filho de italianos, natural de Santa Bárbara (RS), nasce a ferraria Tramontina: uma pequena oficina estabelecida em um terreno alugado.

Após cumprir o serviço militar obrigatório, Valentin retoma suas atividades e investe no futuro, transferindo a empresa para um galpão maior.

Um homem, de mãos vazias, diante de uma gleba de terra coberta de matas, tendo como únicas armas e instrumentos seus sonhos e utopias de moradia e mesa farta rodeado de filhos. É o retrato do imigrante italiano que iniciava sua caminhada no Rio Grande do Sul, a partir de 20 de maio de 1875.

Terra e mata, algum instrumento de trabalho, foi o início do barraco provisório, do esquartejo do pinheiro, da derrubada da mata, da construção da casa definitiva, dos cercados, galpões e as plantações.

Para o imigrante que deixou a Itália no final do século 19, o principal anseio era a propriedade da terra. O contato com a Revolução Industrial ocorrido na Europa foi de grande valia para o colono italiano. O trabalho na fábrica, ainda que temporário, o familiarizou com o novo modo de produzir. Algumas máquinas, fruto da revolução industrial, foram trazidas pelos imigrantes. Saber como as máquinas eram produzidas era um atalho para a produção de novas ferramentas e artefatos. Tudo o que escrevemos até agora é para dizer que a família Tramontina tinha em seu sangue o destemor da maioria dos imigrantes que aportaram nessa região inóspita e íngrime do estado mais meridional do Brasil.

Ao chegar na região colonial do Rio Grande do Sul, o imigrante trazia o conhecimento de algumas atividades e as pré-condições para a produção de outras. Eram extremamente engenhosas.

Um córrego, a ser canalizado, em todo ou em parte, foi a grande engenhosidade dos imigrantes. A roda d’água foi o embrião da metalurgia da região.

Valentin Tramontina, em 1911, montou sua ferraria na então vila de Carlos Barbosa. A família de Valentin morava em Santa Bárbara, localidade pertencente ao município de Bento Gonçalves, atualmente fazendo parte do município de Monte Belo do Sul, e lá fabricava ferramentas agrícolas. Valentin era um colono artesão, filho de imigrantes italianos, e veio a Carlos Barbosa porque a chegada da ferrovia significava perspectiva de expansão. Até 1930, a produção da ferraria era modesta. Valentin prestava serviços a empresas, entre elas Arthur Renner, proprietário de uma refinaria de banha, onde eram abatidos mais de 150 suínos por dia. Fazia consertos nas empresas e fabricava facas e canivetes. Podia ser considerado um ferreiro urbano.

Em 1924, a empresa de Arthur Renner se transfere para Montenegro.

A partir de então, ocorrem algumas mudanças na linha de produção. O tradicional cabo de madeira das facas e canivetes é substituído pelo cabo de chifre, e vários modelos são lançados, entre eles um denominado "Santa Bárbara".

Em 1932, Valentin agrega os primeiros colaboradores. São pessoas que residem na vila, trabalham na agricultura em tempo parcial e começam a fazer facas e canivetes nos porões de suas casas. Valentin Tramontina, nascido em 1893, falece com 46 anos de idade, no ano de 1939. A partir daí, assume a ferraria, dona Elisa Tramontina, esposa de Valentin, que desponta como uma empreendedora nata e arrojada. Ela é quem embarca no trem da estação da vila de Carlos Barbosa e vai vender a produção nos mercados regionais e na capital do Estado.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), caso não existisse a determinação e a coragem de Elisa, a ferraria teria sucumbido.

O ano de 1949 pode ser considerado um marco na história do Grupo. Trata-se da data em que Ruy José Scomazzon, barbosense de 20 anos, amigo de Ivo Tramontina, cursando a Faculdade de Ciências Econômicas da PUC – Porto Alegre, começa a prestar assessoria à Tramontina. Ruy, com espírito de liderança, implanta planos ambiciosos, enfatizando a organização em todos os setores. Inaugura-se uma nova etapa. O caráter artesanal dá lugar a uma produção manufatureira. Na década de 50, a empresa contava com 30 empregados e alguns representantes comissionados espalhados pelo Estado. Os canivetes representavam 90 por cento do faturamento. Vem da Itália a tradição de ter no bolso um canivete, cuja denominação é "brítola". Trata-se de um canivete com formato de pequena foice utilizado principalmente na poda da parreira, para cortar vime. A Tramontina sempre se destacou na fabricação deste canivete. A empresa se capitaliza rapidamente, com inovações tecnológicas: laminadores, marteletes, máquinas de esmerilhar e forjar, que dinamizam a produção em série.

Com a presença do governador Ildo Meneghetti, em dezembro de 1956, foi inaugurada a ampliação das instalações da empresa e o novo escritório. Intensifica-se a produção de facas e ferramentas agrícolas.

O ano de 1958 marca a fundação da Metalúrgica Forjasul, em Porto Alegre, e posteriormente transferida para Canoas. Em 1961 falece a grande baluarte Elisa Tramontina. As décadas de 60 e 70 são marcadas pela instalação de empresas do Grupo em Garibaldi, Farroupilha e na Bahia, e também pela admissão de novos empregados. Houve um salto gigantesco. Dos 30 empregados existentes em 1950, a empresa passou a ter em seu quadro 557 funcionários no final dos anos 60. Hoje o Grupo emprega quase 6.000 pessoas, exporta para mais de 100 países e é uma marca conhecida no mundo inteiro. Nas suas diversas unidades produz mais de 17 mil itens.

O Grupo Tramontina mantém vínculos de forte enraizamento nas comunidades onde atua. Nas cidades onde a empresa tem unidades instaladas, é notória sua participação em projetos culturais, esportivos, sociais e ambientais.

Precisamos olhar com orgulho a vida e a história de nossos antepassados. Os bisnonos e nonos quase nunca falavam da vida miserável que levavam na Itália. Entende-se essa atitude como uma autodefesa, diante de um mundo de frustração econômica e social que deixaram. As coisas negativas geralmente não se comunica.

Em 130 anos, esses nossos antepassados, com lágrimas de sangue, muita fé e solidariedade, criaram uma civilização. Eram camponeses sem esperança que cruzaram o oceano e com o lema de não gastar, "sparanhar" (poupar), edificaram várias Tramontinas por este país.

Nessa trajetória, o grande mérito foi a convivência fraterna e harmoniosa entre Ivo Tramontina e Ruy José Scomazzon. Esse é o maior exemplo para a continuidade dessa empresa que é o orgulho de Carlos Barbosa, do Estado do Rio Grande do Sul e do Brasil.


Valentin Tramontina e Elisa De Cecco se casam e somam forças para, juntos, trilharem prósperos caminhos.

Linha do Tempo

1930 - É lançado o canivete “Santa Bárbara” ref. nº 1, o produto fabricado em maior quantidade na época.
1939 -Falece Valentin Tramontina. Elisa De Cecco Tramontina assume a empresa, com a razão social Vva. Valentin Tramontina.
1949 - A administração da empresa passa para Ivo Tramontina e Ruy J. Scomazzon.
1950 - É feito o primeiro anúncio em jornais locais, o que marca o início das ações de comunicação da Tramontina.
1958 - Com o objetivo de divulgar a marca e apresentar seus produtos, a Tramontina participa das primeiras exposições.
1959 - A unidade Forjasul, para produção de peças forjadas, é inaugurada em Porto Alegre (RS), sendo posteriormente transferida para Canoas (RS).
1961 - Falece Elisa De Cecco Tramontina. Neste mesmo ano, através do empenho da administração e dos funcionários, a empresa torna-se uma S.A.
1963 - Inaugurada uma unidade em Garibaldi (RS), responsável pela produção de ferramentas.
1964 - A marca é alterada. Institui-se uma política de marca única para todos os produtos Tramontina. Até esta data, a marca possuía uma grafia tipo manuscrito, difícil de uniformizar e reproduzir. A partir de então, adotou-se um T estilizado, combinado com letras maiúsculas, agora de fácil e simples leitura.
1969 - A Tramontina realiza sua primeira exportação. Trata-se de uma venda para o Chile.
1971 - A Tramontina realiza sua primeira exportação. Trata-se de uma venda para o Chile.
1976 - Inaugurada uma unidade em Carlos Barbosa (RS) para a produção de materiais elétricos. Ainda no decorrer deste ano, a Tramontina inicia as atividades do primeiro Escritório Regional de Vendas (ERV), em São Paulo (SP).
1982 - Inaugurada mais uma unidade da empresa em Carlos Barbosa (RS), atuando no segmento de ferramentas agrícolas.
1984 - Com a implantação da nova estrutura logística, iniciam-se as atividades do primeiro Centro de Distribuição, em Salvador (BA). Paralelamente, o Escritório Central de Administração, responsável por todas as unidades Tramontina, é inaugurado em Carlos Barbosa (RS).
1986 - Uma unidade da empresa é inaugurada em Belém (PA), sendo responsável pela produção de tacos em madeira para cabos de facas e ferramentas. No mesmo ano, surge o primeiro Centro de Distribuição (CD) no exterior, em Houston (EUA).
1988 - A Tramontina adquire o primeiro robô. O chamado Robô NOKIA foi instalado na fábrica de panelas, em Farroupilha (RS), para polir cabos de frigideiras.
1990 - Inaugurada uma unidade em Encruzilhada do Sul (RS) para a produção de painéis em Pinus.
1996 - Nova unidade inaugurada em Carlos Barbosa (RS). É através dela que a Tramontina entra no mercado de pias e cubas em aço inox.
1997 - Inaugurado o primeiro Escritório de Vendas no exterior, em Huixquilucan, estado de México (México). Ainda no ano de 1997, a marca Tramontina conquistou a condição de marca notória. E, mais do que isto, comprovou, através de pesquisas, a preferência de 94% dos consumidores brasileiros por seus produtos.
1998 - Inaugurada uma unidade em Recife (PE), onde são fabricadas cadeiras e mesas plásticas.
2010 - A Tramontina ultrapassa os 16 mil itens produzidos. A variedade e a diversidade de produtos permitem que a marca esteja presente em diversos segmentos e exporte para mais de 120 países. Números como estes são possíveis graças ao empenho de mais de 6 mil funcionários.
2011 - Centenário Tramontina - Com Trabalho, Transparência, Liderança, Devoção, Valorização das Pessoas e Satisfação dos Clientes, a Tramontina chegou aos cem anos. Nesta data, fazemos questão de agradecer a todos àqueles que confiam e se dedicam para construir essa empresa: seus funcionários, parceiros, comunidades e clientes.












Fontes:
http://www.tramontina.com.br/institucional/historia
http://www.jornalcontexto.com.br/Cronicas/tramontina_95_anos.htm
Diogo Guerra

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